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25 de nov de 2009

Pesquisa de Doutorado – Denise Mairesse

Condição de Morbidez: uma vacilação ao trágico?

Esta pesquisa de Doutorado trabalha e apresenta a idéia de “Morbidez” designando a este termo um outro significado, que não o usual pela língua Portuguesa, contextualizado nos processos de subjetivação característicos da contemporaneidade.
Observa-se uma posição do sujeito frente a uma cultura que demonstra uma fragilidade da lei e que, assim, o convoca a outras formas de relação com a vida. Percebe-se uma vacilação do sujeito a lidar com o mal-estar e com a falta característica da condição humana, buscando, então, refugiar-se em uma posição onde não tenha que fazer escolhas, formas de inserção social que funcionam como mecanismos de defesa, porém que acabam por se tranformarem em sintomas que geram exclusão. A esse modo de subjetivar a autora denomina Morbidez .
A Morbidez por si não existe, ela se apresenta e se constitui de um modo singular em cada sujeito. Realiza-se articulada sempre aos sintomas que o sujeito produz.
A demanda social de um corpo sempre atualizado para que o sujeito não se deixe escorregar em uma “esteira” que nunca pára e assim acompanhe o novo tempo, muitas vezes faz com que o sujeito queira descer da “esteira” ou tente pará-la através do seu corpo. Isto é, ao não conseguir atingir um ideal de perfeição, como por exemplo o de um corpo segundo os padrões de beleza atual, acaba produzindo sintomas como os de transtorno alimentares que o “proteja” de “jogar o jogo”.
Porém, o que também está em questão na idéia de Morbidez são comportamentos onde o sujeito se torna parasita e consumidor de programas, sejam televisivos ou softwares cujo corpo, que em outros momentos ficava parado em posição de expectador, atualmente interage, mas somente de forma virtual e protegida em sua relação com o outro. Desta forma, pode, a qualquer momento, se “desplugar”, não fazendo diferença na massa de indivíduos que co-participam destes novos modos de vida. Assim, ele constrói o que aqui se está nomeando de Morbidez, que o paralisa e o “exclui”[1] das relações sociais, interagindo até o ponto que não o implique além do limite que possa frustrá-lo. Interroga-se: que corpo está em cena na produção de um laço com o social do sujeito na condição de Morbidez? Corpo esse que se faz evidenciar pela marca de um discurso que o atravessa nesse tempo.
Portanto, para analisar essas questões, a pesquisa se desenvolveu junto ao estudo de um caso de Morbidez na Obesidade e Obesidade Mórbida como uma das produções sintomáticas contemporâneas realizadas pelos sujeitos como mecanismo de defesa.

[1] Exclui entre aspas, pois este sujeito parece ao mesmo tempo estar incluído dentro de uma nova proposta de laço social que o demanda estar nessa posição.


RESUMO ORIGINAL DA TESE


RESUMO *

Esta pesquisa de Doutorado trabalha e apresenta uma idéia em torno dos sintomas contemporâneos que vem se constituindo desde a modernidade e se consolidando em novos modos de subjetivar. A partir do olhar da autora, observou-se uma posição do sujeito frente ao seu fantasma desde uma cultura que demonstra uma fragilidade da função paterna e que, assim, o convoca a outras formas de gozo. Percebe-se uma vacilação do sujeito a lidar com o mal-estar e com a falta característica da condição humana, buscando, então, refugiar-se aquém de uma posição desejante, excluindo-se de fazer um confronto com o trágico característico dessa posição. A esse modo de subjetivar a autora denomina Morbidez. Assim, a presente pesquisa trabalha sobre a idéia de Morbidez, designando a este termo um outro significado, que não o usual pela Língua Portuguesa, contextualizado nos processos de subjetivação característicos da contemporaneidade. Buscou-se realizar esta tese a partir da argumentação teórica conceitual desde, principalmente, a psicanálise de Freud e Lacan que visa dar estilo e forma a essa idéia. Trata-se, então, de pensar a Morbidez como uma vacilação a transpor a linha que inscreve o sujeito no trágico da existência humana, uma posição fantasmática frente ao Outro primordial que coloca o sujeito no lugar de objeto e determina o seu desejo. Para tanto, os conceitos de trágico, Outro, gozo e pulsão foram fundamentais para essa formulação. A Morbidez por si não existe, ela se apresenta e se constitui de um modo singular em cada sujeito. Realiza-se articulada sempre aos sintomas que o sujeito produz. Portanto, para analisar essas questões, o trabalho se desenvolveu junto ao estudo de um caso de Morbidez na Obesidade e Obesidade Mórbida. Assim, no segundo momento desta pesquisa se analisou o trabalho da pulsão e do gozo desde o caso mencionado e, para finalizar, realizou-se um diálogo entre o trágico e a psicanálise, já discutido na primeira parte, percorrendo, principalmente, a tragédia de Antígona e de Hamlet pelo olhar de Lacan para efetuar o trabalho de análise. O que interessa à problematização da idéia de Morbidez é a lógica que a constitui e sua relação com o trágico no que diz respeito à ética do desejo. É a ética da psicanálise pautada pelo desejo que mais interessa a essa discussão.
* MAIRESSE, Denise. Condição de Morbidez: uma vacilação ao trágico? Porto Alegre: UFRGS, 2009. 168 f. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação. Faculdade de Educação. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2009.

2 comentários:

  1. Oi Denise, interessante a proposta de tese. Parabéns!! Beijos

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  2. Obrigada querido, vindo de um editor como você é um grande elogio!

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