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29 de set de 2010

Des-dobramentos do Corpo e a "Invenção de Si"

ENGORDA E EMAGRECE, EMAGRECE E ENGORDA...
DES-DOBRAMENTOS DO CORPO E A "INVENÇÃO DE SI"




Um limite que não foi construído internamente em relação à alimentação, pode ser construído a partir de um trabalho de “invenção de si”, como proponho aqui chamar, inspirada em Foucault, o trabalho que permite um outro olhar sobre si e a relação com a cultura.

O processo de engordar e emagrecer, psiquicamente falando, corresponde a ser e deixar de ser. Isto é, em um momento você se movimenta desde uma determinada imagem, desde um determinado lugar psíquico. Eu sou assim, de tal jeito, capaz disso, daquilo, penso e falo desde tal lugar. Sinto-me assim. E, não muito tempo depois fala-se, sente-se, se é, de outro lugar, do lugar de quem se vê gordo. Ou magro. Ou etc. Age-se diferente de cada lugar que se imagina ser, estar, pertencer.

Não quero aqui, parecer defender a posição de que devemos ser sempre os mesmos, pensar e sentir do mesmo jeito. De que podemos ser só um de cada vez. Não! Só me refiro aqui com relação a se passar a ocupar um lugar quando se deseja outro. Quando um desses lugares significa um lugar de exclusão. Psiquicamente o processo de transição entre esses lugares pode não significar o lugar de maior sofrimento, pois o sujeito está sempre em movimento, em busca de uma posição de liberdade frente ao desejo que o aprisiona ao Outro. Porém, esses desdobramentos do corpo tem um efeito. Deixam marcas reais e subjetivas as quais poder compor com elas é parte do processo de invenção de si.

Assim, ao entrar nesse processo, antes de desfilar um mar de lamentações pela “perda” de uma posição, de determinado corpo, lembre-se de perceber nesse momento algo que seja parte do novo. Somente percebendo a criação em meio ao que se repete que é possível inventar um outro de si. É na invenção de um outro de si mesmo que compomos outras trajetórias na vida, que mudamos nosso “destino”.

10 comentários:

  1. Denise! Adorei o post de hoje, bem como o blog todo! Acho imprescindível que a gente se reinvente o tempo todo, isso ajuda a descobrirmos quem somos e, ao mesmo tempo, não cairmos na acomodação de achar que sabemos exatamente quem somos. Eu sou um pouco de tudo que já fui e ainda serei um pouco de cada coisa que ainda não conheço!
    Beijão!
    Thayná

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  2. Olá, Thayná! Que lindo o que vc escreveu! Escreves muito bem! Uma mistura de jornalista e poeta! Fico feliz em saber que me fiz compreender tão bem, tuas palavras me fazem perceber isso! Obrigada por tão lindo gesto de linguagem! Beijo Grande!

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  3. Obrigada, Carlos! Acho que podem surgir boas discussões de nossas produções! Um abraço, Denise.

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  4. Denise, muito bom ler teu texto sobre a 'A Invenção de Si', pois podemos pensar o 'engorda/emagrece' como metáfora para outras situações na vida onde desejamos ter outro 'corpo' e ocupar novos espaços. Me acrescenta neste momento.

    um abraço!

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  5. Com certeza, concordo com vc Carmem! Serve sim! Acho que vamos fazer boas trocas literárias!! Seus textos são ótimos!! Um abraço!

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  6. Olá! Tudo o que está colocado é certeiro! E eu gostei muito de ter lido! Mas no fundo disso vejo um drama que tu abordaste noutro texto: a renúncia ao desejo. Que é o entrave para qqr movimento possível. A transição é instigante, o novo é promissor, a inclusão é uma bela recompensa, mas como alimentar a vontade de se sentir recompensada? Talvez se eu relesse esse texto todos os dias e me fixasse na idéia de que no fundo, no fundo mesmo, existe um ato criador, eu me lançaria com mais vigor nessa empreitada. Criação é uma palavra poderosa. E a função das palavras é conferir poder a quem as profere. Então vamos lá: Faça-se a Luz!! Bjão, Vera Inês

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  7. Olá, Vera! Obrigada pelo teu comentário! Sim, tem a ver com uma renúncia ao desejo, concordo. Porém, o movimento é que faz não ser somente renúncia... O desejo existe, se apropriar dele de um modo a ir contra a um imaginário que deixa o sujeito submetido ao seu "fantasma", que é o grande desafio! Bjo, querida!

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  8. Cara Denise, prezada.
    Bom te conhecer e saber-te no artebaiao.
    Achei teus posts excelentes e lembrei-me do Guimarães Rosa e sua terceira margem do rio!
    Estou te seguindo admirado e contente pela descoberta!

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  9. Puxa, obrigada por tão suntuoso elogio! Fico muito lisongeada e feliz por saber que gostastes e que meus textos te remeteram ao grande Guimarães Rosa! Acho que vamos fazer ótimas trocas e discussões entre a tua belíssima arte e os meus escritos! Um grde. abraço!

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