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31 de mar de 2010

Não contém glúten. Ufa!

Não contém glúten. Ufa!Quem ainda não leu ou escutou sobre o mais novo vilão do século XXI: o glúten? Contém glúten ou não contém glúten é um enunciado presente na maioria das embalagens dos alimentos industrializados. Trata-se de uma proteína encontrada em alguns cereais, como o trigo, a cevada, o centeio, o malte e a aveia, e causa grandes danos a quem é alérgico. Pessoas com esse problema são portadoras da doença Celíaca, mal que, em função de inflamação no intestino delgado, compromete as vilosidades responsáveis pela absorção dos nutrientes.

Você que não tem restrições ao glúten e é um amante de gastronomia italiana, já se imaginou resistindo a uma pizza ou lasanha como a da “nona”? Você que adora viajar e frequentar lugares exóticos, experienciar outras culturas a partir dos seus sabores, já imaginou precisar perguntar a cada prato quais ingredientes foram usados, como foi preparado, se havia algum glúten passeando por perto da caçarola no momento em que seu camarão estava sendo preparado, ou mesmo saltitando no avental do chef?

Comer fora de casa, nesses casos, torna-se uma aventura nem sempre vibrante, pela superação dos desafios, mas um suplício pelo enfrentamento de “caras e bocas” dos garçons, gerentes, “chefs” de cozinha e clientes quando o interrogatório sobre os pratos se inicia. Taxado muitas vezes de neurótico obsessivo, hipocondríaco ou simplesmente chato, os portadores da doença Celíaca são vítimas de preconceito e alvo de piadas. A dor física e psíquica gerada pela presença da alergia, se curada pela não ingestão do glúten (único tratamento existente), é substituída pelo sofrimento da condição do “ser diferente”, como se não bastasse a saudade que a falta do sabor dos alimentos inflige. A saudades daquele gosto do bolo de chocolate que a mãe preparava para o lanche junto com os amigos ou para o piquenique no parque. O do cachorro quente, entrada principal no cardápio das festinhas de aniversário, o da pizza de domingo, da macarronada instantânea dos acampamentos. Na cultura judaica, em que se comemora o “Pessach” em torno das refeições regadas a “matzá” e “kneidales”, alimentos a base de trigo, também deixam sua marca saudosa. Ou seja: como ser judeu sem comer o “matzá”? Ou ser cristão sem receber a hóstia?

A restrição total ao glúten traz um grande sofrimento para algumas pessoas, principalmente para aquelas a quem os alimentos têm um lugar de afeto e prazer primordial na vida. Assim, os primeiros tempos de descoberta da doença exigem não somente uma elaboração em torno da experiência nutricional e gastronômica, mas da própria identidade e dos valores atribuídos à vida. Nas reuniões sociais é necessário deslocar o prazer dos quitutes servidos para focá-lo no que, desde então, essas ocasiões explicitamente propõem: boas conversas, música, dança ou outras formas de lazer. Muitas vezes, esses propósitos são esquecidos por estarem recobertos por um tipo de apelo emocional dos alimentos. Este é um dos modos de descobrir o quanto se poderia, até ter se deparado com o problema com o glúten, estar se perdendo e o que se passa a ganhar com um outro olhar sobre a vida. Ela torna-se híbrida, mais colorida, divertida. A sociabilização adquire novos sentidos, não se aceita mais comodamente qualquer companhia ou passeio. O tempo e o espaço passam a trazer experiências que não podem mais ser camufladas por uma fatia de torta ou por um copo de cerveja. O que passa a estar em jogo é o que entra e sai pela boca em forma de palavra, de discurso − nem mesmo a pipoca do cinema, que raramente contém glúten, consegue se sobrepor ao gosto pelo filme. O sabor só se sustenta pelo meio e não mais vice-versa.

Assim, se realiza o “luto” por “velhos sabores”, já que alguns são perdidos para terra do “nunca mais”, mas que também oferecem lugar a essas novas experiências. E, também, ao resgate de sabores que deveriam sempre fazer parte constante do nosso dia a dia. Como os das frutas da época, deliciosas como só elas. O sabor de um feijão bem feito, como o da “tia Anastácia”, ou dos doces campeiros que encontramos com fartura: a ambrosia, o pudim de leite, as compotas e muitos mais que guardam em si um gostinho de casa da vovó.

Portanto, é fundamental lembrar mais do que se ganhou do que se perdeu, passar a valorizar os novos sabores, as novas receitas, outros velhos paladares muitas vezes esquecidos. Lembrar que, muitas vezes, no momento do interrogatório nos restaurantes teve alguém que se preocupou, fez questão de pesquisar ou preparar algo especialmente para você. Que existem pessoas que respeitam a diferença e que nesse momento você também passará a respeitá-las e valorizá-las mais, não somente as pessoas, mas a própria diferença. Que estar nessa condição é difícil, mas também pode ser especial pelas possibilidades originadas. E, enfim, lembrar que se você optar pela vida apesar de sua condição de imperfeição ao invés de vivê-la na melancolia pela intolerância com sua própria falta, perceberá que em sua condição de humano e ser faltante se tornará realmente belo. Efeito do brilho que você adquire quando vive plenamente todas as suas possibilidades.

Este artigo foi originalmente postado na minha coluna no site Portocultura.com.br, mais precisamente na página http://www.portocultura.com.br/moda/index.php?id=55&idNot=6404.

46 comentários:

  1. se eu tivesse essa alergia a gluten eu seria uma pessoa muuuuito triste....

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    1. Eu sou celíaca e sou muito feliz!!! Fiquei triste no começo mas agora me adaptei como tudo na vida e nem sinto falta!!

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  2. Não, querido... seriam só momentos de tristeza e saudades... É como perder um objeto querido... se aprende a valorizar outros também... E, como digo no texto se ganha muito em troca... Mas, com certeza, não é fácil... A vida não deixa de ser bela, por não ser fácil... ; )
    Se isso ou outra coisa "não muito fácil" acontecer, conte comigo!

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    1. Não é mesmo... eu tenho intolerância, mas "preciso" comer um pãozinho de vez em quando... mas depois sofro mto!! e os sintomas só vem dias depois...

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    2. O problema é que na DC mesmo os sintomas de mal estar é o mal menor... vc demora, cada vez que come, mais seis meses pra desiflamar... e é essa inflamação constante que pode causar o Câncer... Obrigada pela participação, Joyce.

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  3. Alexandre H. Gaiga8 de outubro de 2010 23:13

    Tem razão. Superaria de algum jeito, porque nossa capacidade de se adaptar às adversidades é grande. E realmente, a gente às vezes tem que perder ou se privar pra olhar as coisas e situações com outras "lentes".

    Obrigado pela tua amizade! Pode contar comigo tb!

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  4. Sou a menina da loja...
    Adorei o texto e, sobre a parte judaica, realmente é complicado. Tenho origem judaica e viver sem o delicioso matzá é dificil, mas é tudo uma questão de adaptação.
    E hoje, com a quantidade de alimentos saborosos sem glutém (e no meu caso sem lactose também) que podem ser substituidos é quase impossível sentir falta.

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    1. Da pra sentir falta sim,aquele pão de sal com manteiga,hummmm.Mas isso é de menos quando a cidade em que mora ainda não tem quase nada,ou quando chega alguma coisa hoje e só volta a ter daqui 3 meses e olhe la.aff

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    2. Olá, querida! Que bom que gostastes do texto! Isso mesmo, fico feliz que tão cedo na sua descoberta pela alergia ao glúten, vc já esteja com esses pensamentos! Os "guifiltefish" já estão sendo feitos sem glúten! : ) ! Acho que vc pode gostar do texto que publiquei recentemente sobre Irena Sendler... Seja bem-vinda ao blog, se quiseres clicar no link "seguir" tu podes programar para receber aviso por e-mail das postagens! Um abraço, Denise.

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  5. Olá, querida! Que bom que gostastes do texto! Isso mesmo, fico feliz que tão cedo na sua descoberta pela alergia ao glúten, vc já esteja com esses pensamentos! Os "guifiltefish" já estão sendo feitos sem glúten! : ) ! Acho que vc pode gostar do texto que publiquei recentemente sobre Irena Sendler... Seja bem-vinda ao blog, se quiseres clicar no link "seguir" tu podes programar para receber aviso por e-mail das postagens! Um abraço, Denise.

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  6. Olá, eu descobri faz um mês que estou com intolerância ao glúten e a lactose, e confesso que está sendo muito difícil para que eu possa me acostumar, e mesmo já estendo começado a dieta sem glúten e lactose ainda sinto desconfortos e sintomas. O texto está ótimo! Beijos!

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    1. Este comentário foi removido pelo autor.

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    2. Oi, Gisele. Sim, o início é bem difícil... mas coragem! O que posso te dizer é que busque tirar o foco da comida na tua vida... e busque as frutas, o arroz e feijão, o ovo, a carne que mais gosta... os frutos do mar... Tudo isso é tão delicioso... e acredito que sempre tenha feito parte do teu cardápio, né?
      Grande abraço pra vc!

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    3. Gisele Pereira, no começo da dieta te ajudaria muito participar de um grupo de celíacos!! Foi o que me ajudou bastante!
      Abraço.

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  7. Olá Denise!
    Obrigada pelo texto! Um presente!
    Sou celiaca com DH e tenho tenho filhos celiacos. Nesta jornada descobri que ganhei muito mais do que perdi.
    Flavia

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    1. Sim! Que bom! E quanto maior a discussão sobre o tema os hábitos serão bem mais compreendidos e tolerados.

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  8. como disse o mestre Kó, realmente no início não é nada feliz... mas depois aprendemos a conviver... não comer gluten é muito melhor que comer e ter as reações... aqui neste texto deveria explicar as reações então vamos lá...
    -diarréia
    -anemia
    -no cado de Dermatite herpetiforme coceiras extremas
    -bolhas em mais de 40% do corpo
    -feridas incuráveis...

    é...acho que triste eu era antes da dieta...rsss

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  9. Exelente texto, para mim foi dificil me adaptar a nova realidade a de portadora da Doença Celiaca. Realmente no inicio foi dificil largar habitos que eu adorava. Mas redirecionei minhas preferencias e sobrevivi. Foi facil??Não nem um pouco, mas é só não ficar sofrendo pelo que não se pode mais comer e pronto. Da muito bem para conviver com a doença, pior são aquelas que nos levam a morte.

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  10. Olá! Eu tenho DC e INTOLERANCIA A LACTOSE e o relato do texto e o que acontece comigo e muitos celíacos cada dia para nós e um aprendizado o téxto é muito interessante adorei.

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  11. Olá! Querida/os! Obrigada pelos comentários e depoimentos! Fico muito feliz em poder ajudar a todos com minhas ideias e estudos! E fico muito feliz pelas contribuições que só enriquecem a discussão e o nosso conhecimento.

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  12. Dra Denise, nunca li algo tão acolhedor. Obrigada. Tomei a liberdade de publicar o texto no meu blog, com os devidos créditos. Todo celíaco deve ter a oportunidade de ler algo tão especial. Segue endereço: http://josinaocontemgluten.blogspot.com.br/2012/07/nao-contem-gluten-ufa.html
    Parabéns!

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    1. Claro, Josi! Obrigada por compartilhar! Vou lá visitar teu blog. Te convido para me seguir aqui, tb.

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  13. Li seu texto no blog "Josi sem gluten" e adorei.
    Vou postar aqui o mesmo comentário que postei lá...

    Excelente texto!
    Apesar de ter ficado muito triste com o diagnóstico da minha filha aos 3 anos, no fundo eu agradeci a Deus, por ter sido neste momento.
    Estamos "moldando" os hábitos alimentares dela e ela lida muito bem com as restrições.
    Eu imagino como deve ser difícil, quando o diagnóstico é mais tarde, quando estamos habituados e "apegados" com os lanches, as pizzas, os petiscos de festa, etc.
    Por outro lado, acho que a mídia poderia ajudar muito os celíacos, falando um pouco mais sobre o problema, colocando na novela, tornando tudo mais comum.
    Quem sabe assim, haveria menos "caras e bocas" quando questionássemos nos restaurantes e hotéis sobre a composição e modo de fazer dos alimentos.
    Eu acho um absurdo quando pergunto em alguma lanchonete ou restaurante sobre o gluten e a pessoa não sabe nem o que é!
    Como as pessoas são negligentes com seus negócios! Se o foco do fornecimento é o alimento, como não se informar sobre tudo o que envolve essa prestação de serviço???!!
    Mas, por outro lado, tem os blogs, as lojas de produtos naturais e outras pessoas "do bem", que se preocupam e tentam tornar a vida do celíaco bem mais fácil.
    Um abraço

    Ana

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    1. Ana... sim, entendo o que vc diz... mas realmente nem a área médica conhece bem essa doença, quanto mais esperar isso da população... mas é trabalho de todos que tem conhecimento tratar de divulgar e lutar por mais respeito com quem sofre da DC. Talvez vc pudesse entrar em contato com as redes de TV sugerindo esse tema pra novelas, etc. aparecer um caso em uma novela das "oito" já faria uma grande diferença. Obrigada pelo comentário e pelo carinho. que bom que descobriram cedo! Grande abraço, Denise.

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  14. Dra.Denise, maravilhoso o texto. Sou celíaca a 11 anos e pela primeira vez leio sobre o assunto, exatamente o que acontece comigo e com muito outros celíacos.
    Tomei a liberdade de postar na minha página do facebook https://www.facebook.com/cozinhandosem.gluten e no blog http://cozinhando-sem-gluten.blogspot.com.br/ para que todos os celíacos leiam. Abraço grande e obrigada! Gilda

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    1. Que bom Gilda! É compartilhando que vencemos a luta! Obrigada pelo comentário e elogio! Abração!!

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  15. Gostei muito do texto. Sou mãe de celíaco e quando recebi o diagnóstico dele, fiquei sem saber como comemorar os 2 anos dele, mas depois de participar do Rio Sem Glúten (posteriormente da Acelbra- RJ), conhecendo outros celíacos e trocando receitas e informações, posso dizer que a situação melhorou muuuuito. O acolhimento dos celíacos recém diagnosticados é muito importante para que se possa levar a dieta 100%. Obrigada por divulgar o assunto com tanta delicadeza. Obs.: Meu filho está com 9 anos.

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    1. Eu que agradeço o comentário! Fico muito feliz em ajudar!

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  16. Depois que seu texto foi publicado numa página do Facebook-Celíacos Gaúchos- correu mundo e foi parar em Portugal!!

    http://www.dietapaleo.pt/sem-gluten/nao-contem-gluten-ufa/

    Inspiração para muitos, que se reconhecem no texto.
    Um abraço
    Ester Benatti
    Acelbra RJ

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  17. Ester! Puxa, que legal! Te agradeço muito pela notícia. Fico felicíssima em ajudar tantas pessoas! Contem comigo nessa luta! Já aproveito pra te convidar pra seguir meu blog! Quando eu for ao Rio gostaria de conhecer a organização de vocês. Sei que são um modelo para o Brasil e para muitos países. Um grande beijo!

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  18. Nossa, Drª. Denise, a expressão "luto" caiu muito bem ao momento que estamos vivendo. Descobrimos a 5 meses que nosso filho de 10 anos é celíaco. Me permiti, a princípio,me desesperar, chorar, até que através de informações e fé, fui me acalmando para que pudesse ampará-lo e confortá-lo. Não é nada fácil! Apesar das possibilidades existentes, se reeducar não é tarefa simples. Como a senhora mesmo colocou, não são só mudanças alimentares, mas também, psicológicas e sociais. Tem horas que é muito duro, principalmente quando se ouve um filho dizer que dói muito entrar num supermercado e ver quantas coisas não se pode mais comer. Mas, como todo "luto" tem seu tempo, tenho certeza que novos e belos dias hão de vir e que nossos olhares pra tudo isso também estarão mais brilhantes! Obrigada pelas palavras.

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    1. Ana, querida! Que bom que pude te ajudar! De vez em quando releia e leia para ele... Tirar a "comida" do foco e lembrar da importância da alimentação como meio e não como fim! O foco tem que estar no brincar, dançar, cantar, tocar, desenhar, colorir, conversar, enfim, inventar! Um grande abraço pra vcs.

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  19. Adorei!! Compartilhei também no meu blog! www.glaucia-vivasemgluten.blogspot.com

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  20. Olá Dra. Denise,descreveu realmente a alma do celíaco,parabéns!!Mas a minha experiência com a descoberta da doença celíaca veio de uma modo assim:ou para ou morre,antes do diagnóstico da DC veio o diagnóstico do linfoma no duodeno,provocado pela doença celíaca,então quando vem o sentimento de luto,lembro que tive a segunda chance viver sem glúten e provavelmente o linfoma regredirá,pois se trata de um linfoma folicular onde faço apenas endoscopias para acompanhar.Amei o texto!!abraços

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    1. Puxa! Em primeiro lugar muito obrigada!
      E, sim, na sua situação realmente acredito que de alguma forma, além do que já escrevi, talvez, em parte tenha sido um alento descobrir uma nova possibilidade de vida! Estou torcendo por vc! Um abraço, Denise.

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  21. Denise, sou celíaca e também psicóloga. Enquanto lia seu texto, tinha a impressão de alguém ir parafraseando todas as situações já vividas.

    Decidi viver plenamente minhas possibilidade e transformar tantas restrições em momentos de aprendizado, conhecimento e até receitas deliciosas. Tudo isso eu divido em um blog que criei com o objetivo de ajudar outras pessoas que vivem nessa situação.

    Parabéns pelo texto e pela iniciativa. Adorei!

    Beijocas

    www.semglutenporfavor.blogspot.com

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    1. Que legal, Duda!! é isso aí! Beijos pra vc tb!

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  22. Achei o texto muito pertinente. Desde que descobri que sou celíaca, em momento algum fiquei triste ou deprimida com o fato. Fiquei muito agradecida a todos que me ajudaram neste caminho para o diagnóstico, pois foram muitos anos de sofrimento passando por médicos especialistas sem saber o que realmente me causava tanto desconforto. Hoje tenho uma nova vida e muito mais saudável. Apesar do trabalho de analisar todo alimento que consumo, tenho plena consciência que faço o que é o melhor para mim.Talvez quem nunca teve ou não tenha alguma intolerância alimentar, nunca saberá o valor que tem isto.

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  23. Em 1973 comecei com os primeiros sintomas gástricos. Em 1978 me operaram vesícula, achando que o problema era dela, não era. Lá pelo ano 2000, acharam que era intolerância à lactose, era. Desde então aboli das refeições leite e derivados. Em 2010 comecei novamente com problemas gástricos. Tenho uma irmã celíaca, agora eu também estou. Ela, tem uns 5 anos, passou a ter intolerância à lactose, também. Agora, com a moda "sem glúten", os produtos são mais fáceis de encontrar, mas quando minha irmã foi diagnosticada celíaca, era uma dificuldade!
    Uma integrante do grupo VIVA SEM GLÚTEN, no Facebook, postou esse texto lá, não resisti à tentação em vir aqui escrever.
    Parabéns Dra. Denise Mairesse, nada como um texto com esse conteúdo para dar uma animada no nosso dia-dia de tantas restrições! Obrigada!
    Teresa

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  24. Bom dia Dra. meu nome é Laís, descobri a doença a uns 7 anos atrás, gostaria de saber se eu preciso de acompanhamento médico para fazer novos exames periodicamente ou se só a dieta basta.Obrigada!

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    1. Oi, Laís. Claro, sempre! Muito importante ter um médico de confiança e ver como vc está... E também para quem não tem a Doença Celíaca, depois dos 40 anos, mesmo sem sintomas os exames de imagem são importantes! Tb não acho exagero consultar uma segunda opinião sobre diagnósticos desse tipo de doença. Abraço, Denise.

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  25. Excelente seu artigo, adorei a sua abordagem do "luto" e orientação para mudança de foco nas ocasiões festivas e novas descobertas.

    Sinto com muita clareza nos depoimentos que leio e relato de pessoas a ruptura cultural e dificuldade de convivência familiar e social que as pessoas com Doenças Celíaca passam e o sofrimento que isto causa.

    A sua abordagem vai muito pela linha que tenho orientado meus pacientes e comentado em meus cursos com relação a alimentação sem glúten, de que não busquem imitar o gosto do alimento antigo com farinha de trigo ou leite (intolerância a lactose é bem comum cursar junto com DC), mas sim que abram-se para novos sabores, aromas, formas e experiências gastronômicas.
    Costumo lembrar que o alimento tem um significado simbólico, afetivo e cultural que está registrado em nosso inconsciente como rotas de fonte de prazer e pertencimento, e de que de nosso inconsciente não podemos retirar ou apagar nada, mas podemos colocar estas rotas em “desuso”, criando novas rotas de prazer através do alimento e da socialização que você tão bem aborda em seu artigo.
    Estimulo as pessoas a usarem temperos, ervas aromáticas e especiarias que não estavam acostumadas (até criei um curso de temperos para orientar as múltiplas possibilidade nesta área) para desenvolverem novos sabores suas preparações.

    tomo a liberdade de colocar o linck do Guideline da Doença Celiaca - 2012 para atualização da parte conceitual de DC e alergia ao trigo - https://translate.googleusercontent.com/translate_c?depth=1&hl=pt-BR&prev=search&rurl=translate.google.com.br&sl=en&u=http://www.worldgastroenterology.org/UserFiles/file/guidelines/celiac-disease-portuguese-2012.pdf&usg=ALkJrhjkGWLqkqk0jCgnDfb2mLl1dG5EMA

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