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26 de set de 2010

“Quem canta, os males espanta”

CANTAR - UM ATO DE CRIAÇÃO

O cantar, da mesma forma como acontece com outros modos de fazer arte, é um processo de criação. O ato de cantar, mesmo quando a composição, música e letra, não é de nossa autoria, inclui sempre um interpretar. Os arranjos melódicos que construímos a partir de nossa própria voz, fazem da canção única, singular, a transformam e nos transformam nesse gesto.

De acordo com o que já escrevi anteriormente sobre o trabalho em cerâmica, Freud revelou o quanto a criação depende da sublimação de nossas pulsões, isto é, de um redirecionamento de sua satisfação através da sexualidade para sua satisfação em fins considerados socialmente nobres ou “úteis” como o trabalho e a aprendizagem.

A experiência da arte, a mais nobre das atividades de criação, há muito é praticada nos trabalhos de cura e tratamentos de doenças sejam elas psíquicas, psicossomáticas, ou qual seja a classificação que se pretenda dar aos efeitos da vida no corpo.

O trabalho de criação tece uma série de cortes, rupturas, desvios. Compõe um outro ritmo, outra cadência ao corpo. Na fluidez da pulsão desconectada dos velhos sentidos, o corpo se liberta, torna-se leve, sublime. É o brilho do encontro com o que há de mais belo, com a verdade do sujeito transposta na sua criação.

Assim, ao cantar, o sujeito transmite um saber, mesmo inconsciente, articulado aos timbres e harmonias. Através de sua voz imprime algo que é seu, faz a sua marca. Se torna também autor, enquanto cantor.

O ato de cantar/interpretar/criar busca desde o sopro das canções maternas, a partir da própria voz do sujeito, invocar aquilo que lhe foi demandado, constituir nesse ato seu próprio desejo. Impelido sempre a responder ao Outro (Lacan), produz na criação uma resposta outra que o liberta da posição de submissão lhe permitindo ser cantor/autor.

Texto inspirado na “aula-show” de Bianca Obino realizada dia 25/09/2010 no Espaço de Música Sustenido. Projeto cultural “Seis e Meia.”

6 comentários:

  1. Um bonito vídeo sobre compor e cantar retirado do filme "Music and Lyrics"

    http://www.youtube.com/watch?v=qOSjJQLhBHA&feature=related

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  2. Alexandre H. Gaiga8 de outubro de 2010 22:59

    Adorei este texto. Através da música a gente sublima muita coisa. Pra mim vai além, de certa forma me dá sentido pra vida.

    Se tiver oportunidade, assiste o filme "Les Choristes" (que em português ficou com o nome brega de " A voz do coração"), é excelente e tem a ver com o tema:
    http://www.adorocinema.com/filmes/voz-do-coracao/

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  3. Sim, entendo! Por isso que vc é especial nessa área!! Acho que pra mim o que dá sentido é a psicanálise, o trabalho de escutar o outro e possiblitar que encontre uma saída para o seu sofrimento e ache, como vc, aquilo que lhe dá sentido a vida. Vou assistir o filme! Obrigada pela dica! Depois podemos conversar sobre ele.

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  4. Vou enviar o link para uma professora de técnica vocal. Por acaso é minha mãe.

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  5. Que legal! Tomara que ela goste!! Será uma honra ter ela como minha leitora. Bjo grde!!

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  6. Assisti o filme "Les Choristes"! Realmente se trata do que escrevi... uma transformação através da criação e do modo como a música nos afeta! Lindo filme, lindo pelo ato de cantar/criar/transformar e por trazer também à discussão e reflexão o ato de educar e de todo processo de aprendizagem nesta relação com a arte. O que parece impossível insiste em não cessar de acontecer. Obrigada Alexandre pela dica! Já dá pra ter uma idéia de vc como professor/educador!

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