20 de ago. de 2014

"O Asasinato da Línga Portugeza"




Estranhando a escrita do título?

Como tudo nesse país, as regras de ortografia de nossa língua mudam sem o povo ser consultado. É mais ou menos esse o novo jeito proposto e que está em discussão na Comissão de Educação do Senado para facilitar a “aprendizajem” da escrita. Que tal?

Assassinar a língua portuguesa já vem sendo uma prática usual na nossa cultura. O empobrecimento intelectual do país serve de base para as novas regras. A proposta diz que visa “fasilitar” a escrita. Se não bastasse “fasilitarem” a passagem de um ciclo ou uma série para a outra, a intenção do momento é adequar o país e sua língua aos maus tratos da Educação, da perda cultural, isto é camuflar o analfabetismo desenvolvido a custa do descaso com o sujeito!

A Educação no Brasil sofre com a comercialização do conhecimento, bem como com o descaso de governos que seguiram e seguem a velha tática do emburrecimento para aumentar o domínio e submeter o povo. As palavras de uma língua, rica herança que nos torna quem somos, que dá o tom ao nosso texto, que produz modos de ser e fazer agora são ainda minimizadas, assaltadas, esburacadas. Como se já não bastasse a última reforma ortográfica cujas transformações muitos ainda se negam a incluir na própria escrita.

Brinca-se o jogo de “Faz-de-conta” usando a imaginação para distrair o tempo, para se manter fora do circuito que torna nossa língua mercadoria e que busca nos tornar reféns e cúmplices de um crime fatal, o da morte do Sujeito Epistemológico, do sujeito do conhecimento proposto por Piaget (1). Conceito este que tem como uma de suas premissas básicas o homem como um ser de linguagem construtor de sua inteligência a partir dessa.

O pensamento simbólico é produzido desde uma capacidade intelectual complexa que nos difere dos animais produzindo novos e sofisticados instrumentos. Descosturar a língua desmantelando as formas de seu corpo que permitem a expressão de pensamentos complexos é o mesmo que submeter o povo a um “samba de uma nota só” sem ser Jobim. É como voltar a era das cavernas. E,nesse ritmo, em pouco tempo estaremos desenhando nas paredes, mas sem ser Picasso.

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(1) Apesar da minha visão sobre a condição do homem ser psicanalítica e nesse sentido basear minha escrita e fala normalmente pelo conceito de Sujeito do Inconsciente, o sujeito freudiano, penso que nesse texto para tratar sobre a idéia referida cabe buscar em Piaget o conceito de Sujeito Epistemológico.

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