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27 de abr de 2015

Amores perdidos, “Un Cuento Chino”.


Quando perdemos traumaticamente alguém muito querido uma imensa tristeza nos invade provocando uma sensação de que o chão vai nos faltar. Tudo parece sem sentido, como na tragédia vivida por Roberto, personagem protagonizado por Ricardo Darín desde a película argentina "Un Cuento Chino". Colecionando acontecimentos sem sentido a partir de reportagens, Roberto tenta resignificar sua rotina pela cumplicidade de não estar só na desgraça ao mesmo tempo em que se recolhe em seu luto eterno. Ao se deparar com um jovem “chino”, cuja fatalidade é ainda mais absurda, mas cuja escolha foi buscar um sentido pela via da vida e não da morte, Roberto percebe que a vida oferece possibilidades para quem está atento a lógica do encontro. O “chino” neste filme tem uma função de ligar, é um elemento de conexão entre dois mundos distintos, porém ligados por duas ou mais tragédias. A tragédia pessoal de Roberto faz com que o desamparo do “chino” o comova, provocando um movimento que desorganiza sua rotina melancólica.
Enfim, escrevo este pequeno comentário por lembrar hoje da perda de uma querida amiga, pela saudades que deixaram essa e uma estimada prima, entre outros, pelos acontecimentos vividos recentemente por alguns amigos muito próximos e por todas as perdas em suas mais variadas formas. Para cada acontecimento trágico há uma reação singular. Um modo que cada sujeito vai dispor para se manter na continuidade com mais ou menos alegria. A alegria, os risos, a felicidade muitas vezes sucumbem produzindo no lugar mal humor, raiva, vingança. Instalando gradualmente a melancolia. Cada sujeito vai viver sua dor conectada a sua história e a sua ficção. O trabalho da psicanálise é o da escuta, da interpretação e da inserção de um “punto-chino” que convoque o sujeito a um novo lugar. A posição de poder perceber as aberturas, os desvios e os presentes que cada sujeito que a vida levou nos deixou de herança. Heranças simbólicas cuja função só a nós cabe decifrar.

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